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Paraíso das águas cristalinas

 

Paraíso das águas cristalinas

A apenas 150 km de Cuiabá, o distrito de Bom Jardim, em Nobres, reúne lagoas transparentes, cachoeiras cênicas e rios perfeitos para a prática de flutuação. Vá antes da chegada do turismo de massa e descubra o melhor do destino a preços acessíveis

POR MARINA AZAREDO
FOTOS FERNANDA FRAZÃO

 

Nadar em águas cristalinas em meio a centenas de peixes é uma experiência almejada por todo turista que viaja em busca de destinos paradisíacos. Uma lista de lugares onde é possível ter essa experiência certamente incluiria Fernando de Noronha, o Caribe, talvez as Maldivas. Mas algo que aprendi em minhas andanças pelo Brasil é que não é preciso ir tão longe para mergulhar em águas azuis-turquesa.

A verdade é que o paraíso está logo ali e se chama Bom Jardim. Com rios cristalinos, lagoas de águas azuis e misteriosas cavernas, o pequeno distrito da cidade de Nobres, no Mato Grosso, ainda é pouco explorado pelo turismo de massa, o que garante tranquilidade e preços bastante amigáveis se comparados aos de Bonito, sua irmã sul-mato-grossense. As atrações dos dois destinos são bastante semelhantes – flutuação em rios e nascentes, cachoeiras, boia cross –, mas Bom Jardim ainda guarda uma vantagem importante em relação a Bonito: suas águas têm temperatura mais agradável, dispensando o uso de roupas de neoprene.

Embora ainda preserve ares de vilarejo inexplorado, Bom Jardim é facilmente acessível a partir de Cuiabá. São apenas 150 quilômetros percorridos em uma estrada asfaltada. Só é preciso ficar atento para não ir parar no lugar errado. Como o distrito pertence ao município de Nobres, o destino acabou ficando conhecido por este nome. Mas a verdade é que ele está a 65 km do Centro da cidade. Quem erra o caminho tem de refazer um bom pedaço de estrada. Mas, uma vez lá, não tem erro: as águas límpidas e cristalinas garantem a satisfação até de quem porventura tiver se perdido no interior mato-grossense.

 
 

O que hoje é o distrito de Bom Jardim foi uma fazenda de 50 mil hectares até os anos 1980, quando a propriedade foi tomada pelo governo e fragmentada em centenas de terrenos menores, distribuídos entre trabalhadores sem-terra. No final da década seguinte, um grupo de forasteiros chegou por lá e, ao se deparar com atrações do calibre da Gruta da Lagoa Azul, não pensou duas vezes: estava ali uma joia com potencial para se tornar um polo de turismo no Centro-Oeste.

O sul-mato-grossense Vicente Aurélio foi o pioneiro e acabou tornando-se o proprietário de uma das principais agências de turismo do destino. A beleza exuberante da Gruta da Lagoa Azul foi o primeiro ponto que ele conheceu e o suficiente para convencê-lo a investir em Bom Jardim. E não é para menos: a caverna de formação calcária, com estalactites e estalagmites, tem uma impressionante lagoa de águas azuis cristalinas. O lugar é tão surpreendente que começou a atrair turistas de forma exagerada e, como não havia um plano de manejo para sua preservação, foi fechado para visitação em 2002. A boa notícia é que os órgãos responsáveis já entraram em um acordo e o parque estadual que abriga a gruta deve passar a receber visitantes novamente no primeiro semestre de 2019, segundo os empresários locais.A visita, no entanto, será de contemplação. Para que a gruta e a lagoa se mantenham preservadas, não será permitido mergulhar em suas águas.

O melhor lugar para refrescar o corpo é o Aquário Encantado. Cercado por uma vegetação abundante com características de transição entre o Cerrado e a Amazônia mato-grossense, ele chega a até 6 metros de profundidade e parece uma verdadeira piscina natural graças à alta concentração de calcário de suas águas, o que garante um imbatível azul transparente.

 
 

Na mesma propriedade também é possível fazer flutuação no Rio Salobra, mas o melhor mergulho de superfície da região é o no Rio Triste. O percurso é de 1000 metros e, além de dourados, piraputangas e piaus que chegam bem perto dos visitantes, é bem comum encontrar arraias. As plantas aquáticas que se espalham pelo caminho dão tons selvagens ao passeio. É difícil querer sair da água quando o trajeto termina.

As belas águas da região também dão as caras na Cachoeira Serra Azul, uma queda de 46 metros que deságua em um poço azul esverdeado. Para chegar lá é preciso enfrentar uma escadaria de 470 degraus – na medida para preparar o corpo para o mergulho –, mas a volta pode ser feita em uma tirolesa de 700 metros de comprimento. Aí é só relaxar e curtir o friozinho na barriga.

Gostou da adrenalina? Então experimente fazer o boia cross no Duto do Quebó, um dos passeios mais surpreendentes do destino. Não tem nada a ver com aquele boia cross tradicional, em que você se senta na boia, esquece da vida e que dá um soooono. No Rio Quebó o passeio é com emoção, praticamente um rafting suave. É preciso estar atento para a boia não virar – ainda assim, ela vira! – e preparado para atravessar uma gruta de calcário de 300 metros totalmente escura e cheia de morcegos. E não pense que eles ficam paradinhos: os bichos voam para todos os lados, mas, graças aos seus sensores naturais, nunca “batem” nos visitantes. O passeio é imperdível e vale cada centavo (palavras de uma medrosa convicta).

 

Sem abrir mão do conforto

Com 16 pousadas, Bom Jardim tem opções de acomodação bastante simples e rústicas. Para quem não dispensa o conforto, uma alternativa não muito longe dali é o Malai Manso Resort, hotel com sistema all-inclusive com piscinas, campo de golfe, spa e todas as comodidades desse tipo de hospedagem. Localizado a 60 km de Bom Jardim, no município de Chapada dos Guimarães, o complexo ainda oferece aos hóspedes a oportunidade de fazer um passeio de barco pelo Lago Manso, com vista privilegiada do Morro do Chapéu e parada para banho nas águas transparentes da Ilha de Bora-Bora. Reduto da turma endinheirada, o lago ganhou até o apelido de “Mansorerê”, em referência ao agito cheio de celebridades de Jurerê Internacional, em Florianópolis.

 
 

O melhor lugar para curtir o fim de tarde é na Lagoa das Araras, que tem uma vegetação formada basicamente de buritis, espécie de palmeira típica da região. Ao morrer, o buriti perde sua copa e seu caule fica oco, transformando- se em um habitat propício para araras e outras aves montarem seus ninhos e procriarem. Por volta das 17h, elas protagonizam um verdadeiro espetáculo, cantando e voando entre os galhos.

A Lagoa é uma das poucas atrações que dispensam o uso de carro no destino. Uma boa alternativa são os quadriciclos, que podem ser alugados no Bixu Park. Com eles também é possível visitar outras atrações mais centrais, como a simpática Cachoeira dos Namorados, que surge apenas na época das chuvas, entre novembro e março.

 
 

É na vila também que se encontram as principais opções de hospedagem e de alimentação. O restaurante mais “badalado” é o do Chapolin, que não tem cardápio fixo, mas que prepara um saboroso peixe assado na folha de bananeira e ainda tem a presença animada do proprietário e chef. Ele é filho de Juvêncio Dias Pedroso, 80 anos, 10 filhos, “acho que 26 netos” e um dos mais antigos moradores locais. Ex-funcionário da antiga fazenda, Juvêncio foi um dos primeiros a serem assentados na reforma agrária e tem muita história para contar. “Eu conheço essa Lagoa Azul desde criança. Ia lá brincar”, contou-me, sem sequer imaginar as distâncias que nós, turistas, somos capazes de percorrer em busca de águas azuis e cristalinas como aquelas.

 
 
 

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

 1  Uma câmera subaquática ou um bom case de celular à prova d’água é indispensável para fazer fotos sob as águas transparentes de Bom Jardim.

 2  Os ingressos para as atrações só podem ser comprados nas agências de viagem. Não tente chegar sem tíquete pois você corre o risco de dar com a cara na porta.

 3  Equipe-se de um binóculo no dia da visita à Lagoa das Araras. O acessório é essencial para observar as aves que fazem seus ninhos nos caules ocos dos buritis

 4  Viaje leve. Em Nobres, você não terá oportunidades de usar salto alto e roupas pesadas ou sociais. Invista nas peças frescas e confortáveis

 

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PUBLICADA EM: 14/08/2018 10:59:30 | VOLTAR PARA Artigos | OUTRAS PUBLICAÇÕES
FONTE: http://www.azulmagazinedigital.com.br/


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